Vivemos na era da notificação constante. Opiniões se multiplicam, crises ganham manchetes em segundos e a comparação virou rotina silenciosa nas redes sociais. Nesse cenário, o estoicismo — filosofia antiga — parece surpreendentemente atual.
Para Epicteto, a chave da liberdade está em distinguir o que depende de nós do que não depende. Hoje, isso significa reconhecer que não controlamos algoritmos, decisões políticas ou a opinião alheia — mas controlamos nossa postura, nossas escolhas e a qualidade das nossas ações.
Marco Aurélio, governando um império em tempos de guerra e peste, escrevia a si mesmo sobre manter a mente reta diante do caos. Se ele buscava serenidade em meio a batalhas reais, quanto mais nós precisamos dela em meio às batalhas digitais.
Aplicado aos tempos atuais, o estoicismo não é frieza emocional. É maturidade emocional. Não é indiferença, mas responsabilidade interior. Em vez de reagir impulsivamente a cada provocação online, o estoico moderno pergunta: isso está sob meu controle? Se não está, solta. Se está, age com virtude.
Num mundo obcecado por validação, o estoicismo propõe autonomia. Num mundo acelerado, ele propõe pausa. Num mundo que amplifica o medo, ele sugere lucidez.
Talvez a grande rebeldia do nosso tempo não seja gritar mais alto — mas manter a calma quando todos gritam.
